sábado, 18 de fevereiro de 2017

02

  • ONTEM          
PREÂMBULO DE UMA SENTENÇA
                  à Maria Rita Nastasi

Já nem sei mais
a diferença
entre a faca
a navalha 
e o perfume

O risco no ar
reluz em cheiro
a ilusão da tua presença

Lentae  impregnação
de um suave aroma
fere-me
cortando a garganta
separando-me em trechos
a me jugular

Despedaçando emoções esquecidas
nas infectas instalações
fora de uso
do matadouro
que se fez em mim.

                            publicado no CLIPS- Ano 1 - n.º 2, Secretaria de Cultura - Santos - 1991


  • HOJE

LABOR
               
Você
e eu
o mar
e todos os outros
que não virão
            verão
            primaveras depois
o desmoronar
            constante
das nossas convicções
no trabalho leve
e persistente
da brisa
contra as grandes muralhas
até restar
             apenas
o último 
único grão
que fundará
sustentará
a nossa reconstrução

                              14.02.2017

Carlos Roque Barbosa de Jesus

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

APRESENTAÇÃO

Gosto do meu nome - CARLOS ROQUE

Gosto de desenhar.

Escrevo há muito tempo, escrevo para mim há muito tempo.

A minha amiga, Valéria Paz, diz que para sou o melhor poeta desconhecido que ela conhece. Fico lisonjeado e muito mais retraído.

Ruminando tempos e palavras resolvi abrir este blog para que ele se perca na blogsfera, junto com milhões de outros blogs e eu continue a me manter anônimo, para tristeza da minha amiga e alegria da humanidade.

Todas as minhas postagens serão de dois poemas, um de ontem e um de hoje.

Convencionei que os poemas de ontem são aqueles que foram escritos até o ano de 2002. Não existe um motivo aparente para a escolha desta data, nenhum acontecimento pessoal, mundial ou literário, apenas gosto dos números. E como toda boa convenção, está suscetível à mudanças, podendo esta data avançar ou recuar no tempo, dependendo de inúmeros fatores, nenhum relevante neste momento.

Os poemas postados juntos, necessariamente, não guardarão nenhum tipo de relação de complementação ou de oposição, mas tentarei postar poemas que tenham; para mim; ao menos, o mesmo ritmo. 

"QUE O VERBO NUNCA LHE FALTE! Saudação que costumo derramar sobre os meus amigos poetas ao encontrá-los. Espero que o mesmo não aconteça comigo e contigo.

Grande abraços e grandes olhos.

Carlos Roque Barbosa de Jesus

01


  • ONTEM          

MOLDURA
                  à Maria Fernanda Soares Valdez

Uma vas
de ti
Uma ti
distorcida de mim
Um dão
vazio de luz.

Cacos do espelho partido
               nos cantos
               chão da sala
conjugam
pedaço a pedaço
uma VAS...TI...DÃO
de nós.
                              1997.


  • HOJE

CRONOS
               
As cidades
serão devoradas pelo tempo
               mas sem nenhuma pressa
segundo após segundo
assim como elas
               as pedras
que nasceram
um minuto antes
do mundo
se tornar azul.

                              08.02.2017

Carlos Roque Barbosa de Jesus